Noites de Vigília

Pintado de preto

Gosto de ópera, acho o canto lírico interessante e algumas árias são realmente extraordinÁRIAS (hã, hã, entendeu Briguet?)

Mas tem montagem que complica o espetáculo.

Por exemplo, em uma montagem de Aída, na década de 80, do Alla Scala de Milão, o Pavarotti aparece como Radamés, um guerreiro impetuoso que se divide entre dois amores e dois reinos.

O duro é o Pavarotti convencer como guerreiro impetuoso.

Nesta mesma montagem, os etíopes são... Cantores pintados desleixadamente de negros. O rei da Etiópia tem uma baita cara italiana, com barba e tudo. Pintado de preto. Aída também é super-européia. Pintada de preto.

Os egípcios, em compensação, permaneciam pálidos, gélidos, brancos, níveos...

Sei que a representação na ópera é um tanto teatralizada, sugerida, sem a preocupação de convencer.

Mas não adianta caprichar em cenários suntuosos e expor os cantores a situações cômicas.

Aí fica difícil embarcar na trama. E Verdi, com toda a sua carga dramática (Radamés e Aída são enterrados vivos), é quem paga o pato.

Publicado em 10 de março de 2005 às 16:16 por preto

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