-O mar, de noite, invade a barraca em ondas ameaçadoras.
-O vinho que não abre, o casal que espera, o garçom que se frustra.
-Bicicleta empinada, a roda voando, o tombo.
-Discurso etílico que não fiz (ou fiz?) no coreto.
-Correia que escapou da guitarra, em Marília.
-Pinga com mel, bom para gripe, também em Marília.
-Ônibus dirigido por Keith Richards, em Ilha Comprida, rumo ao sambaqui perdido.
-Guia que chora, indignado com o que fizeram de seu povo.
-Silêncio do elevador de serviço no cemitério vertical de Santos.
-Folhas rabiscando faces, mãos e pescoços na colheita de milho.
-Crianças que se alimentavam de bicho da seda, em Rolândia.
-Catedral construída sobre ruínas de uma civilização dizimada.
-Deserto – horizonte em todas as direções.
-Rio de piranhas, morno e pacífico.
-Bar surreal, palavras fora de rotação.
-Serenatas em Ponta Grossa, uma fuga fantástica pela janela.
-SOS Marcelo Rocha, salvamento e resgate de bêbados renitentes.
-OVNIs, trânsito de trator, vodka barata, eclipses no Morrinho.
-Cadeira que virou lenha no Araucana.
-Todas as vezes em que pilotei uma moto.
-Viagem sem teto nem cama – se fosse hoje, minhas costas dariam trabalho.
Publicado em 17 de março de 2005 às 16:55 por preto