Conheço e colaboro com a Universidade FM de Londrina desde o seu surgimento, lá no início dos anos 90.
Acompanhei o trabalho de vários diretores, e reconheço a importância de cada um para que a emissora trilhasse o caminho de uma rádio educativa pública universitária.
Também acompanhei o trabalho de Janete el Haouli, a sua preocupação obsessiva com a qualidade, sua convicção no jornalismo responsável e independente, sua interpretação da rádio como um órgão de importância social, um órgão transformador, com objetivo de oferecer elementos para a melhoria de vida da comunidade em geral.
São frases que podem soar utópicas, mas que nortearam os rumos da rádio enquanto Janete esteve à frente da emissora.
A demissão de Janete el Haouli, ontem, entristeceu-me. Acho sinceramente que esta demissão atrapalha o desenvolvimento da Universidade FM como rádio educativa pública universitária.
Entre erros e acertos, Janete empreendeu uma rádio plural, atendendo a necessidades diversas, dando voz a todas as vertentes musicais, desenvolvendo programas diversificados com apoio de pesquisadores e colecionadores da comunidade londrinense.
Desenvolveu programas ecológicos, comunitários, entrevistas, debates, informações. Agregou cronistas, escritores, jornalistas, dramaturgos, mobilizou uma colaboração variada.
Uma postura guerrilheira, já que a estrutura da rádio é pequena – não para menos, a Universidade FM contou com o auxílio fundamental da Camtar – Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio Universidade FM.
Espero, sinceramente, que a emissora não perca este legado.
Publicado em 18 de março de 2005 às 14:25 por preto