Olhou atirando facas, a raiva emergindo das vísceras, o pulso acelerando em pensamentos mortais. Olhou durante uma vida, irradiando da alma, estatelando aquele caleidoscópio azul, já desfocado, porque não interessava mais o que olhava, mas o que sentia, a adrenalina liderando reações químicas que ardiam o estômago, arrepiavam os pêlos e contraíam os dedos feito um estrangulamento. Isso, estrangulamento. Logo os fluxos foram controlados porque o ódio subia ao cérebro, tornando-se racional e provocando ímpetos assassinos, também acalmados porque a vingança viria a cavalo e grande feito um mamute. Engoliu seco, respirou fundo, subiu no salto, empinou os peitos. Os músculos formaram no rosto de Beatriz um sorriso grande e convidativo e foi assim que ela cruzou com o ex, flagrado no shopping de mãos dadas à nova namorada.
Publicado em 23 de março de 2005 às 17:19 por preto