Noites de Vigília

Briguinhas

-Por que você sempre inverte as coisas?
-Não é assim, não. Controle sua agressividade que eu sou vítima nesta história.
-Mas como, se você chegou já dando bronca por causa da calcinha no banheiro?
-Justamente por isso. Tínhamos um pacto. Nada de calcinha pendurada no box, nada de cascos de cerveja em volta do lixo.
-E o que é aquilo?
-Uma garrafa de v-i-n-h-o vazia. E nem está perto do lixo.
-Ah, entendi. O lixo não deve ir para o lixo.
-Se eu jogo no lixo, você reclama. Se eu não jogo, também.
-Coitadinho.
-Pôxa, chego em casa, vejo a calcinha e apenas comento com você. Mas você explode, critica, acaba comigo e ainda reclama do vinho que tomei ontem.
-Não reclamei do vinho, mas da garrafa vazia – o lixo – do vinho. E não soltei os cachorros em cima de você. Apenas lembrei que você também não cumpriu sua parte.
-Sei, eu sou sempre o vilão. O malvado, o ruim.
-Se você soubesse o quanto me enerva...
-Calma benzinho, amor, guzu-guzu...
-Guzu-guzu o cacete!
-Isso, grita comigo!
-Geralmente é a mulher quem fala isso.
-Impossível, homens não chegam a esses níveis de grosseria.
-Ah não, claro. Muito menos naquele botequim que você freqüenta.
-Não fala mal do meu bar. Pode me ofender, humilhar, mas falar mal do meu bar não!
-Tá vendo, eu gostaria tanto de ser defendida assim...
-Ô benzinho, mas você é. Olha, estou jogando o vinho no lixo, tá.
-E eu estou guardando a calcinha.
-Pronto.
-Pronto.

-Agora vai fazendo uma comidinha enquanto eu vejo o jornal.
-Nãnãnão. Vai me ajudar a cortar o alho e a cebola.
-Tá bom. Cadê o alho?
-Ué, você não comprou?
-Era a sua semana de ir ao supermercado.
-Minha? Mas você está um pau d´água mesmo.
-Eu bebo socialmente. E já fui no mercado, olha a cebola que eu comprei aí.
-Mas esqueceu o alho, sem alho não tem porra de jantar nenhum.
-Nem no boteco falam desse jeito.
-É claro, num botequim de cachorros os fregueses ladram!
-Você quer saber? Eu vou é para lá. Os ca-chor-ros me tratam melhor que você.
-Vai mesmo, canalha. Vai e me deixa sozinha. Pé-de-cana.

Ele sai batendo a porta. Ela corre para o telefone.
-Valdir? Pode vir que está tudo certo. Hein? Não se preocupe, ele só chega tarde e bêbado.

No carro, ele disca o celular.
-Eduarda? Estou passando aí. Não, a essa altura ela está enchendo a cara de comprimidos para dormir.

Publicado em 15 de junho de 2005 às 18:17 por preto

Comentários

    • Ducas.
    • por briguet deslogado de lins e silva
    • 15.Jun.2005 às 21:14 - Permalink - Reportar
    briguet deslogado de lins e silva
  1. zero
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