Para Paulo Briguet
Não há, na escola das perdas, disciplina que escape ao sofrimento.
Na escola das perdas o preparo é lenitivo, anestesia que não ultrapassa a pele.
Na escola das perdas cada prova é única, pessoal, intransferível e insubstituível.
Na escola das perdas não é preciso estudo, todos passam.
Na escola das perdas cada um sabe a nota que merece.
É a escola das perdas que nos freqüenta em horários alternativos, sazonais, previsíveis ou surpreendentes.
Na escola das perdas não somos estudantes, mas reféns.
A escola das perdas é interativa: as provas alheias nos atingem e vice-versa.
A escola das perdas zomba da ciência, mas alimenta a filosofia, a religião e a arte.
Ninguém quer concluir a escola das perdas.
O ensino da escola das perdas é aquele que não se mensura.
Um dia a escola das perdas nos confere graduação.
É definitivo, não precisa pós nem mestrado.
Diplomados, viramos provas para outros estudantes.
A escola das perdas provoca aleijões na alma.