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Após a traição, César chega em casa com uma espada atravessada no peito. Quase morrendo, encontra sua esposa.
-Ó César, o que te fizeram?
-Ué, você não tá vendo?
Ronald Golias teve bons momentos.
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Aumento o volume, é uma gravação da década de 30, um grupo hot com Charlie Christian (guitarra) e Lionel Hampton (vibrafone): “Soft Winds” é um verdadeiro rock, inclusive nos arranjos. Faltou só o ritmo acentuando o segundo e o quarto tempos – na época, ainda estava próximo do 2x4.
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Estão saindo às pencas os DVDs sobre Carlos Gardel. Não é para menos: na Argentina, o tango foi rapidamente incorporado à cultura nacional, inclusive alcançando o cinema. Gardel estrelou vários filmes e, por isso, tem arquivo farto em imagens.
No Brasil, comemoramos quando descobriram um trecho de sete ou oito segundos com Noel Rosa, única imagem do compositor. Ele aparece tocando violão junto ao bando dos Tangarás. O filme completo perdeu-se, apodrecido.
A diferença é evidente: enquanto o tango alcançava a elite e conquistava o cinema, nossos sambistas ainda estavam apanhando da polícia - as poucas imagens em movimento foram tratadas com desdém.
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Temporadas abstêmias são engraçadas. Acordei às 4h40, morrendo de sede.
-Nossa, que ressaca... Peralá, eu não bebi nada!
Era uma ressaca psicológica. Valeu para botar a leitura em dia e constatar que, às 6h30 da manhã já tem (ou ainda tem) rapaziada se drogando no Zerão.
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Sei que está em voga as modificações em carros, mas alguém pode me dizer por que diabos um sujeito rebaixa... Uma caminhonete? Eu vi, juro que vi (será que tocava um bate-estaca altíssimo?)
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Foi-se também o Agente 86, o homem do telefone no sapato, uma sátira psicodélica a seriados cult de agentes secretos. Estava pau a pau com o Batman entre os seriados. Os cinco melhores da televisão, segundo minhas preferências da época: Pantera Cor-de-Rosa, Batman, Agente 86, Seres do Amanhã e Terra de Gigantes. Azulivre.
“Ai de ti oh meu amor/ Se entre as marcas da paixão/ Bem te vi, oh meu bem-te-vi/ Brilho farto de emoção”.
É, teve uma época em que isso tocava sem parar no rádio.
Há alguns dias venho pensando no pedido de Roberto Jefferson em retirar a acusação formal contra José Dirceu no Conselho de Ética da Câmara. Ou seja, recuar na possibilidade de cassação. A Folha de S. Paulo de hoje deu uma dica: Dirceu teria anulado o voto na cassação de Roberto Jefferson. Se o toma-lá-dá-cá for verdadeiro, concordo com o Jânio de Freitas: “estou cada vez mais incapaz de olhar políticos e ver parlamentares e governantes” (também na Folha de S. Paulo de hoje).
Conselho de Pixinguinha: depois dos 70 anos, é melhor trocar a pinga pelo uísque.
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Eis que, anos depois, retorno a Balzac. Basta ler algumas páginas para me frustrarem quaisquer pretensões literárias.
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Oásis cotidianos: nada como uma cervejinha com o cheiro de comida caseira em preparo. Se tiver alho e cebola fritos, então...
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Surpesas boas: Rolling Stones e Paul McCartney com bons lançamentos. Aliáuses, o Franz Ferdinand também está com um baita disco, à altura do primeiro.
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Em homenagem a Hans-Joachin Koellreutter, escrevi um perfil
aqui.
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Quando casos de corrupção eclodem, a cobertura da imprensa é automaticamente jogada na berlinda. É bom, porque levanta questionamentos éticos que deveriam ser diários. Neste ponto concordo com o Paulo: nosso Código de Ética ainda é muito vago.
Pixinguinha também era bamba para escolher seu repertório. Dá uma curiosidade danada para saber o porquê desses títulos:
-Nhonhô em Sarrilho (Guilherme Cantalice)
-São João debaixo d’água (Irineu de Almeida)
-Fica calmo que aparece (Donga)
-Tapa buraco
-Sapequinha
-Cangote cheiroso (Pedro de Sá Pereira)
-Festa de branco
-Pé de mulata
-Não sou mais trouxa (Pedro Cabral)
-Gavião calçudo (Pixinguinha/Cícero de Almeida)
-Carne assada
-Onde foi Isabé
-Me deixa, serpentina! (A. dos Santos)
-Vira a casaca! (Joubert de Carvalho)
-Vem cá, não vou
-Agüenta, seu Fulgêncio
-Segura ele
-O urubu e o gavião
-Papagaio sabido (Pixinguinha/C. Araújo)
-Dr. ...Sem sorte (De Bens)
-A vida é um buraco
-Os home implica comigo (Pixinguinha/Carmen Miranda)
-Levanta, meu nego!
-Segura esta mulher (Ari Barroso)
-Vi o pombo gemê (João da Baiana)
-Diabinha de saia (Levino Ferreira)
-Você não deve beber (Pixinguinha/Manuel Ribeiro)
-André do sapato novo (André Vitor Correia)
-O gato e o canário (Pixinguinha/Benedito Lacerda)
-Língua de preto (Honorino Lopes)
-Só para moer (Pixinguinha/Benedito Lacerda)
-Marreco quer água
-Casado na orgia (Pixinguinha/João da Baiana)
-Me leva, seu Rafael (Caninha)
-Cristo nasceu na Bahia (Sebastião Cirino)
-Olha o grude formado (Gadé)
-Dando topada
-Gato na tuba (João de Barro/Alberto Ribeiro)
-Eva e miau miau (Haroldo Lobo/Milton de Oliveira)
-O passo do canguru (idem)
-Samba fúnebre (Pixinguinha/Vinicius de Moraes)
-Pula sapo
-Vasconcelos em apuros
-Mistura e manda (Nelson Aires)
-Urubu malandro (Louro/João de Barro)
-Salto do grilo
(Há ainda dois femininos incríveis: Bráulia e Oscarina.)
Fonte: Pixinguinha – Vida e Obra (Sérgio Cabral), Lumiar Editora (1997)
Chamar-se Ranulfo não é bolinho. Imaginem, na infância, alguém lhe chamando de Ranulfo. Não é um nome infantil. E ficava lá pro fim da chamada. Quando a professora dizia, todos me olhavam.
E tinha aquele negócio:
-Ranulfo não é o inimigo do Mickey?
Era, e vivia atrás da Minie. Na infância eu li muitos gibis da Disney, mas na adolescência descobri que o Mickey era chato.
Se o Mickey virou mala, ao menos passei a gostar do meu próprio nome, embora o apelido Preto já predominasse. Passei a curtir porque é diferente, claro.
Hoje eu gosto – embora muita gente acredite se tratar de um codinome – a ponto de mexer em Carlos Drummond:
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Ranulfo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Enfim, Ranulfo não é um nome tão incomum. Aqui em Londrina tem vários, acredito que boa parte descendente de mineiros, como eu. Na locadora, por exemplo, ouço contente a pergunta:
-Ranulfo de quê?
Sim, há outro Ranulfo locando no mesmo lugar que eu.
E conheci pessoalmente um xará, o marido da Maraci, que trabalhava no arquivo do JL.
Outro xará era o Xavantinho, da dupla Pena Branca & Xavantinho, um Ranulfo gente fina, conheci em Londrina, foi-se antes da hora.
Significados, encontrei um: guerreiro prudente, não lembro a fonte. Um professor já me explicou que o nome tem origem grega e que ocorria com certa freqüência nas Ilhas Canárias. Como tenho descendência portuguesa, é possível.
Engraçado mesmo é verificar a correspondência. Na época da Folha de Londrina, a Karla Matida fez uma lista dos enganos cometidos. Lembro de alguns:
-Landulfo
-Ranolfo
-Ronolfo
-Randolfo
-Raimundo
-Ramon
-Ramulfo
-Ranufu
-Hanulf
e por aí vai.
Imagino as dificuldades passadas por meu pai, um Ranulfo mais clássico: Ranulpho.
Dá até vontade de adotar o ph.
-Há 20 anos eu queria fazer tatuagem. Hoje tenho consciência de que é legal nos outros.
-Há 20 anos eu usava um bottom do Black Sabbath.
-Há 20 anos meu cabelo cresceu além dos ombros.
-Há 20 anos eu tinha uma banda de punk-rock, mas achava que era metal.
-Há 20 anos eu usava tênis All Star.
-Há 20 anos eu ouvia Camisa de Vênus, Legião Urbana, Ira! e Replicantes.
-Há 20 anos eu telefonava para o Azylo Hotel, programa do Paulão Rock’n’roll.
-Há 20 anos fui mandado várias vezes para fora da sala do colegial.
-Há 20 anos tentei jogar o Pafu num ventilador de teto.
-Há 20 anos eu só usava calça jeans. Ainda uso, na verdade, mas tenho certeza que não são as mesmas porque ganhei quilos a mais.
-Há 20 anos eu dirigia sem carteira.
-Há 20 anos eu tinha um arsenal imenso de fitas K-7. Algumas ainda existem, e tocam, mas eu não ouço mais.
-Há 20 anos eu era viciado em videogame – Motorcycle, Olimpíadas, Fórmula 1, Asteroids, Polaris e Donkey Kong eram os favoritos. Motorcycle, por sinal, foi zerada 3 vezes com uma única ficha. Um recorde para ser lembrado 20 anos depois.
-Há 20 anos eu falava gírias o tempo todo.
-Há 20 anos eu pegava carona em um conhecido sinal da JK com a Quintino Bocaiúva.
-Há 20 anos eu fiz grandes amigos em uma viagem a Ubatuba.
-Há 20 anos eu tomei um homérico pileque de vodka e Fanta. Se fosse hoje, não sobreviveria.
-Há 20 anos eu não me imaginava hoje.
Fim de semana bebop. Acho que me empolguei pelos aniversários de morte e nascimento de Charlie Parker e danei-me a ouvir novamente o saxofone delirante. Mas agora, que houve um distanciamento da fase em que eu era mais fanático por bebop, o saxofone de Parker parece justamente mais melódico e menos verborrágico.
E o mesmo vem acontecendo com John Coltrane. Acho que um dos motivos dessa “melhora” tem a ver com os mergulhos pela música contemporânea. Algumas experiências com extremistas – como Derek Bailey – ajudaram a clarear a percepção de músicas que eu já gostava.
No caso de Thelonius Monk, acho que seu piano ficou mais sentimental, no bom sentido. É compositor e intérprete de primeiro time, da mesma estatura de Parker e Coltrane.
Tem uma cena – bastante conhecida no meio jazzístico – em que Thelonius faz uma aparição tocando piano junto a integrantes da orquestra de Count Basie. Basie era um tremendo pianista de suingue, mas também era arrogante a ponto de desprezar um talento recente como Monk por completa incompreensão.
Enquanto Monk toca um blues, Basie senta-se ao lado do piano, encarando o músico com expressão de ironia. Quanto mais Monk imprime seus soluços de tempo, mais Basie parece sarcástico. Mais atrás, o cantor Jimmy Rushing faz caretas de reprovação.
Tudo muito humilhante, Monk ficou profundamente magoado. Vale lembrar que a orquestra de Basie havia, tempos antes, tomado a mesma atitude com Parker.
Por outro lado, veteranos como Coleman Hawkins ficaram completamente empolgados com o novo jazz. Coisas da música.
Leia mais sobre Charlie Parker neste
perfil.
Desde que esse aparelho infernal – mas útil – apareceu, o silêncio virou expectativa. É só esperar que, não importa onde você esteja, um celular vai tocar.
Mas isso não é o pior. Mentes diabólicas tramaram para que os toques de celular – todos sem exceção – fossem chatos e inconvenientes.
Os toques de celular têm a capacidade de transformar temas ou músicas legais em um negócio medonho. Mesmo esses modelos mais recentes, que permitem acordes, seguem a tendência.
Daí que, para mim – e para muita gente, levando em conta a popularidade –, só funciona o velho e bom trim-trim que imita telefone antigo. Dá até para criar comunidade no Orkut: “Partidários do trim-trim”.
Hum... pensado bem, deixa pra lá.