Fim de semana bebop. Acho que me empolguei pelos aniversários de morte e nascimento de Charlie Parker e danei-me a ouvir novamente o saxofone delirante. Mas agora, que houve um distanciamento da fase em que eu era mais fanático por bebop, o saxofone de Parker parece justamente mais melódico e menos verborrágico.
E o mesmo vem acontecendo com John Coltrane. Acho que um dos motivos dessa “melhora” tem a ver com os mergulhos pela música contemporânea. Algumas experiências com extremistas – como Derek Bailey – ajudaram a clarear a percepção de músicas que eu já gostava.
No caso de Thelonius Monk, acho que seu piano ficou mais sentimental, no bom sentido. É compositor e intérprete de primeiro time, da mesma estatura de Parker e Coltrane.
Tem uma cena – bastante conhecida no meio jazzístico – em que Thelonius faz uma aparição tocando piano junto a integrantes da orquestra de Count Basie. Basie era um tremendo pianista de suingue, mas também era arrogante a ponto de desprezar um talento recente como Monk por completa incompreensão.
Enquanto Monk toca um blues, Basie senta-se ao lado do piano, encarando o músico com expressão de ironia. Quanto mais Monk imprime seus soluços de tempo, mais Basie parece sarcástico. Mais atrás, o cantor Jimmy Rushing faz caretas de reprovação.
Tudo muito humilhante, Monk ficou profundamente magoado. Vale lembrar que a orquestra de Basie havia, tempos antes, tomado a mesma atitude com Parker.
Por outro lado, veteranos como Coleman Hawkins ficaram completamente empolgados com o novo jazz. Coisas da música.
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