Chamar-se Ranulfo não é bolinho. Imaginem, na infância, alguém lhe chamando de Ranulfo. Não é um nome infantil. E ficava lá pro fim da chamada. Quando a professora dizia, todos me olhavam.
E tinha aquele negócio:
-Ranulfo não é o inimigo do Mickey?
Era, e vivia atrás da Minie. Na infância eu li muitos gibis da Disney, mas na adolescência descobri que o Mickey era chato.
Se o Mickey virou mala, ao menos passei a gostar do meu próprio nome, embora o apelido Preto já predominasse. Passei a curtir porque é diferente, claro.
Hoje eu gosto – embora muita gente acredite se tratar de um codinome – a ponto de mexer em Carlos Drummond:
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Ranulfo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Enfim, Ranulfo não é um nome tão incomum. Aqui em Londrina tem vários, acredito que boa parte descendente de mineiros, como eu. Na locadora, por exemplo, ouço contente a pergunta:
-Ranulfo de quê?
Sim, há outro Ranulfo locando no mesmo lugar que eu.
E conheci pessoalmente um xará, o marido da Maraci, que trabalhava no arquivo do JL.
Outro xará era o Xavantinho, da dupla Pena Branca & Xavantinho, um Ranulfo gente fina, conheci em Londrina, foi-se antes da hora.
Significados, encontrei um: guerreiro prudente, não lembro a fonte. Um professor já me explicou que o nome tem origem grega e que ocorria com certa freqüência nas Ilhas Canárias. Como tenho descendência portuguesa, é possível.
Engraçado mesmo é verificar a correspondência. Na época da Folha de Londrina, a Karla Matida fez uma lista dos enganos cometidos. Lembro de alguns:
-Landulfo
-Ranolfo
-Ronolfo
-Randolfo
-Raimundo
-Ramon
-Ramulfo
-Ranufu
-Hanulf
e por aí vai.
Imagino as dificuldades passadas por meu pai, um Ranulfo mais clássico: Ranulpho.
Dá até vontade de adotar o ph.
Publicado em 09 de setembro de 2005 às 18:04 por preto
Abs
Luciomar