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24 November 2005

Clichês



-Trabalho há 20 anos como perito do FBI e nunca, em toda a minha carreira, vi algo parecido, Jack. Este não é um assassino comum.

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-Não atire, deixe-o fugir. Ele voltará.

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-Ela é líder da torcida e namorada do principal atacante do time de futebol. Não é o tipo de garota para nós.

-Ah, mas eu sei que vou conquistá-la.

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-Oh meu Deus! Ele está vindo! Ligue o carro!

Tuviuviuviuviuviuviuviuviu...

-Não quer pegar!
-Ele está perto!

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-Não, pequena, eu só vou descansar quando não existirem foras-da-lei do Texas ao Iowa.

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-Eles me pegaram, John! Fuja, fuja enquanto é tempaaaaargh!

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-Crissie, ele está atrás de nós.
-Quem?
-O caminhão.
-Oh meu Deus, acelere Raymond!

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-General O’Brian, sei que desobedeci suas ordens, mas fiz o que tinha que ser feito.
-Eu deveria levá-lo à corte militar, Billy.
-Mas eu trouxe todos os prisioneiros de volta.
-É por isso que eu vou condecorá-lo, Billy.

**

-Só posso dizer uma coisa, Emily. Eu vi. Juro que vi. E não era humano.

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-Oh meu amor, diga que me ama!
-Eu te amo, Mary, mas eu tenho que ir.
-Então leve este pingente para se lembrar de mim. Você vai se lembrar de mim, Gary?
-Oh, sim, Mary, em todos os momentos da minha vida!

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-Eu esperei a vida toda por este momento, McMillan. E agora você vai morrer.

Pôu!

-Aaaargh. McMillan, seu desgraçado!

-Quando tiver que atirar, Joe, não fale. Atire.

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-Ele vai ficar bem, doutor?
-Sim Grace, ele vai sobreviver.
-Oh, graças a Deus!
-Agora vá descansar um pouco, garota.

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-Kevin...
-Tenho que confessar uma coisa, Margareth. Eu não me chamo Kevin.
-Oh, quem é você, Kevin?
-Leopold B. Smith.
-Não, você é o assassino do meu pai! Roubou nossa fortuna e deixou-nos na miséria.
-Foi um acidente, Margareth.

**

-Você foi longe demais, O’Rourke. Entregue seu distintivo e sua arma.
-Ah, não sargento.
-E não tente investigar por conta própria, senão eu mesmo lhe expulso da corporação.


19 November 2005

***


Glória Feita de Sangue, com Kirk Douglas, é mais do que um filme sobre a Primeira Guerra. É um filme sobre política militar e estratégias desonrosas de ascensão na carreira. Além de imagens bem feitas sobre o front – Alemanha e França chegaram a uma fronteira em que muitos morreram sem qualquer avanço – e uma fotografia impecável, há a atuação de Douglas. E a assinatura de Stanley Kubrick.




Interessante também é Olímpia, de Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler. O filme é um documentário autoral sobre as Olimpíadas de 1936 e faz toda aquela apologia sobre os arianos, em imagens ufanistas. O próprio Hitler aparece exultante. Os negros norte-americanos arrasaram nas provas de velocidade, para decepção dos locutores alemães. A diferença de tratamento entre arianos e negros é gritante. Nas provas em que a Alemanha venceu, a bandeira nazista aparece tremulando triunfante. Quando os negros ganham, a locução é claramente decepcionante. Olímpia também é um musical embasado pelas proporções wagnerianas – compositor que ainda hoje sofre acusações de anti-semitismo, em grande parte pelo uso de sua música por Hitler (o interessante de Wagner é o uso excessivo do eixo vertical, a música condensada em acordes). Apesar do conteúdo ideológico, Olímpia é de um apuro estético a toda prova, tanto que a qualidade das imagens resiste ao tempo.

14 November 2005

Aperitivos do Paulinho

Ando com dificuldades de encontrar um nome fixo para o blog. A saída tem sido apelar para provisórios, que também não deram muito certo.

Na falta de nome fixo, vou apelar para mais um provisório: Aperitivos do Paulinho.

Explico: o Aperitivos do Paulinho foi um dos melhores bares que eu freqüentei, e não foram poucos.

Era um tempo de fim de faculdade, e a portinha em frente ao ponto de ônibus que ia para a UEL era tentadora. No espaço em frente cabiam apenas quatro mesas. O Aperitivos do Paulinho não passava disso, mas, diante das complicações da época, era um oásis de felicidade.

Chegávamos no fim da tarde, geralmente depois de alguns curtos telefonemas ou nem isso.

No Paulinho encontrávamos, eu e o Briguet, o Osmani, o Luís, o Widson... e papo não faltava.

A cerveja era gelada ao ponto e os aperitivos preparados com capricho pela Neusa. Nossa freqüência era diária e, às vezes, acabávamos esticando para o Beco, que era ali do lado.

Foi no Paulinho que vi as estratégias mais inteligentes para se dispensar bêbados.

Um dia, durante a tarde, entrou um bebum e pediu cerveja. O Paulinho percebeu que o sujeito poderia criar confusão e serviu um guaraná quente. O bêbado fez careta e saiu xingando:

-Ô bar danado para vender cerveja ruim!

De outra, o bar já quase fechando, com a porta baixada, entrou um assassino, daqueles que faíscam os olhos. Todo mundo gelou. Caído feito um demônio, pediu pinga. O Paulinho serviu.

O sujeito bebeu, tirou a camisa e começou a mostrar as cicatrizes:
-Isto é tiro, isto também. As facadas foram nas costas.

Falava dos homens que havia matado, tomava pinga e dizia uma mandinga qualquer. Depois do terceiro copo, foi embora em paz. Eu e o Paulinho nos olhamos e resolvemos abrir mais uma. Afinal, a morte passara perto.

Foi no bar do Paulinho que eu vi que cachorro também pode ser boêmio. A Xuxa, cadela do Osmani, freqüentava o boteco mesmo sem o dono. Era comum chegar no bar e ela lá, recebendo-nos de rabo abanando.

Foi no Paulinho que convenci o Briguet de que ele havia se fantasiado de múmia com um rolo de papel higiênico; no Paulinho todo mundo se tratava por heavy; no Paulinho não tinha tristeza ou ressaca; no Paulinho ouvíamos hits antigos dos anos 70 ou programas de rock da UEL FM, para onde eventualmente ligávamos; no Paulinho o telefone era nosso também – e ligavam lá atrás da gente, uma vez que não existia celular. O Paulinho era parada obrigatória.

Uma vez, acho que um sábado, o Paulinho nos levou para a própria casa, montamos as mesas como no bar e lá permanecemos até altas horas. É, ainda hoje, de uma cordialidade tremenda. O Briguet ainda o encontra na Cantina do Nonoca. Eu o vejo menos.

Um dia, o bar do Paulinho fechou. Ficamos lá até o último minuto. E depois ficou naquela de abrir em outro lugar, deixando-nos em esperançosa melancolia. É isso aí: Aperitivos do Paulinho. Em curta temporada.


07 November 2005

...


Nem todo mundo gostou de O Elefante, de Gus Van Sant. Mas não achei ruim, há certa crueza na irracionalidade assassina dos protagonistas que o cinema nem sempre retrata assim, na bucha. Ao mesmo tempo, não mudou minha vida.

Dá para dizer o mesmo de Last Days, sobre os últimos dias de Kurt Cobain. A vantagem, aqui, é que o silêncio já usual de Van Sant ultrapassa a trilha sonora e alcança as imagens.

Imagens silenciosas? É, o lago imenso e impassível, por exemplo. Os takes das paredes de pedra da casinha dos ensaios – Kurosawa e Bergman são especialistas nisso.

Tudo contrasta com o turbilhão Cobain, paranóico e depressivo, incapaz de pronunciar uma frase inteira.

O filme não traz um rockstar com delírios de genialidade, não mostra uma morte heróica ou romântica – é seco e direto ao retratar o vazio em que a vida do rapaz se tornou.

Há uma discussão sugerida sobre o sucesso e a pressão da indústria fonográfica, mas o assunto não é aprofundado – como nada é, no filme.

Ao fugir do aprofundamento, Van Sant disse mais sobre o uso de drogas do que qualquer campanha preventiva.

Existem poréns, claro, como uma sugestão metafísica desnecessária.

No mais, o filme retrata um sujeito que não agüenta mais. Um cara que perdeu para si mesmo.


03 November 2005

...



A Folha deu na capa o rosto dos fugitivos da Cadeia Pública, o Cadeião, naqueles idos de anos 90.

Entre as carantonhas da bandidagem, tava lá: Zeca Arranca-Toco.

Descendo pela Alagoas, ao lado do Cemitério São Pedro, uma escuridão danada na época, fui rendido por um sujeito armado.

-Eu sou o Zeca Arranca-Toco, tô fugindo da polícia. Passa a carteira e a camisa. Pode ficar com os documentos. Que é isso?

-Fita cassete – eu levava umas fitas para tocar no bar.

-Pode ficar.

Cheguei no bar ainda abalado. Até então, nunca tinha sofrido um assalto.

**

De lá para cá, só piorou.

Entraram em meu prédio e fizeram a festa: roubaram vários toca-Cds. Roubos como este, já perdi a conta. Inclusive, recentemente, vi um furto em plena luz do dia, em uma rua movimentada.

Sem falar da dupla que atirou em uma caçamba, recentemente, às quatro da tarde, em pleno referendo.

A filha de uma amiga foi assaltada recentemente, ao meio-dia, na saída do Colégio Canadá. Assalto à mão armada.

Uma família de amigos viajou e, ao retornar, a casa estava depenada, mesmo com cerca elétrica, alarme e segurança.

São inúmeros os casos, desde o amigo que sofreu seqüestro relâmpago aos tiros que ouço madrugada adentro. Traficantes agem às claras, há roubos de apartamentos, residências, assaltos, brigas, tiroteios, o caos.

Os criminosos multiplicam-se pelas ruas de Londrina, a cidade nunca esteve tão violenta – eu vivo aqui há 20 anos.

Não há quem agüente, não há quem faça algo, não há o que esperar de políticos – desisti deles há muito.

E não venham me dizer que, ao comentar isso, contribuo para afastar investimentos da cidade. Ando farto de hipocrisia.

01 November 2005

...


Acordei com ressaca psicológica de novo. É simples: apresenta todos os sintomas de ressaca, com a diferença de que não tomei uma gota de álcool ontem à noite.

Aí o Paulo veio com a resposta: “Lembra em 1991, quando você passou a noite toda no bar tomando todas, voltou de madrugada e ainda foi assistir aula às 7h30 da manhã sem qualquer ressaca? Então, é essa ressaca que você está tendo hoje.”

Ou seja, um caso notório de ressaca adiada.

Se essa teoria for comprovada, estou perdido.

**

Por mais científico que os meios eletrônicos sejam, sempre há um componente forte de catimba.

E ele se manifesta nas formas mais estranhas.

Lembra aquele cadastro que você acabou de fazer para acessar um site importante e, na hora de acessar, ele recusa a senha?

É a catimba desafiando a ciência.

A catimba tecnológica enrola toda a sua vida digital e não há quem conserte.

Aquele e-mail que você mandou e o cara não recebeu? Catimba.

Aquela página que você entra todo dia e de repente aparece como erro 404? Catimba.

A internet super-rápida que empaca no site mais simples? Então.

Aquele download que demorou três horas e necas de abrir? Catimba na certa.