A Folha deu na capa o rosto dos fugitivos da Cadeia Pública, o Cadeião, naqueles idos de anos 90.
Entre as carantonhas da bandidagem, tava lá: Zeca Arranca-Toco.
Descendo pela Alagoas, ao lado do Cemitério São Pedro, uma escuridão danada na época, fui rendido por um sujeito armado.
-Eu sou o Zeca Arranca-Toco, tô fugindo da polícia. Passa a carteira e a camisa. Pode ficar com os documentos. Que é isso?
-Fita cassete – eu levava umas fitas para tocar no bar.
-Pode ficar.
Cheguei no bar ainda abalado. Até então, nunca tinha sofrido um assalto.
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De lá para cá, só piorou.
Entraram em meu prédio e fizeram a festa: roubaram vários toca-Cds. Roubos como este, já perdi a conta. Inclusive, recentemente, vi um furto em plena luz do dia, em uma rua movimentada.
Sem falar da dupla que atirou em uma caçamba, recentemente, às quatro da tarde, em pleno referendo.
A filha de uma amiga foi assaltada recentemente, ao meio-dia, na saída do Colégio Canadá. Assalto à mão armada.
Uma família de amigos viajou e, ao retornar, a casa estava depenada, mesmo com cerca elétrica, alarme e segurança.
São inúmeros os casos, desde o amigo que sofreu seqüestro relâmpago aos tiros que ouço madrugada adentro. Traficantes agem às claras, há roubos de apartamentos, residências, assaltos, brigas, tiroteios, o caos.
Os criminosos multiplicam-se pelas ruas de Londrina, a cidade nunca esteve tão violenta – eu vivo aqui há 20 anos.
Não há quem agüente, não há quem faça algo, não há o que esperar de políticos – desisti deles há muito.
E não venham me dizer que, ao comentar isso, contribuo para afastar investimentos da cidade. Ando farto de hipocrisia.
Publicado em 03 de novembro de 2005 às 16:01 por preto