Glória Feita de Sangue, com Kirk Douglas, é mais do que um filme sobre a Primeira Guerra. É um filme sobre política militar e estratégias desonrosas de ascensão na carreira. Além de imagens bem feitas sobre o front – Alemanha e França chegaram a uma fronteira em que muitos morreram sem qualquer avanço – e uma fotografia impecável, há a atuação de Douglas. E a assinatura de Stanley Kubrick.
Interessante também é Olímpia, de Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler. O filme é um documentário autoral sobre as Olimpíadas de 1936 e faz toda aquela apologia sobre os arianos, em imagens ufanistas. O próprio Hitler aparece exultante. Os negros norte-americanos arrasaram nas provas de velocidade, para decepção dos locutores alemães. A diferença de tratamento entre arianos e negros é gritante. Nas provas em que a Alemanha venceu, a bandeira nazista aparece tremulando triunfante. Quando os negros ganham, a locução é claramente decepcionante. Olímpia também é um musical embasado pelas proporções wagnerianas – compositor que ainda hoje sofre acusações de anti-semitismo, em grande parte pelo uso de sua música por Hitler (o interessante de Wagner é o uso excessivo do eixo vertical, a música condensada em acordes). Apesar do conteúdo ideológico, Olímpia é de um apuro estético a toda prova, tanto que a qualidade das imagens resiste ao tempo.