Churrasco, tatu e terrorista tupiniquim
Esta é mais uma daquelas histórias de bebedeira, em que sempre acontece algo difícil de acreditar:
Há dias permanecíamos internados à beira do rio, em uma chácara, bebendo ininterruptamente. Ou seja, tornou-se uma dessas ocasiões propícias para que algo esquisito, muito esquisito, acontecesse.
Éramos um grupo de amigos, estudamos juntos no antigo ginasial. o churrasco, quase infinito - era a nossa sensação -, misturava-se a alguma pescaria. Até um esqui improvisado, e um tanto perigoso, arriscamos nas águas da represa.
E assim, mais para lá do que para cá, alcançamos outra madrugada.
Foi quando o guarda noturno da região apareceu querendo participar. Coisa estranha, apenas os donos o conheciam, mas ele chegou no churrasco sem timidez, papudo de doer.
Bem, eu ainda dava alguns vexames no violão, naquela época. O vigia viu-me com o instrumento e intimou: “Toca uma do Elvis”. Improvisei algo e ele mandou ver “You've lost that lovin' feelin'” e outras do repertório terminal do Rei.Imitava-o com propriedade.
Da mesma forma que chegou, foi-se. Mas, da estrada, ouvimos alguns berros. Logo o vigia voltava, trazendo um tatu vivo.
-Peguei no carreador, comentou.
Um murmúrio ecoou desde a mesa de sinuca até o balcão. Era muito esquisito. Afinal, o cara tinha acabado de sair. Cogitamos se ele tinha feito alguma armadilha, coisa assim.
O interesse do sujeito, no entanto, era vender o bicho para que o cozinhássemos.
-Isso dá cadeia, falei, pelo que lembro.
A resposta foi um olhar meio raivoso, meio rancoroso. Achei que a palavra CADEIA não caiu bem.
Como o grupo era pobre e bêbado, não demorou para o tal vigia ver que dali não saía grana. Despediu-se e caiu fora.
No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até uma chácara vizinha, pegar o barco para pescar, um lugar que também aluga chalés para turistas. Lá, o dono comentou que o vigia também tinha aparecido tentando vender o tatu. Fizemos alguns gracejos sobre a estranha história.
Um ano depois, o grupo encontrou-se novamente, agora em um bar de Londrina. Automaticamente lembrei do tatu. E fiquei sabendo o resto do acontecido.
O tal vigia arranjou algum entrevero com um juiz que, vez ou outra, ficava na cidadezinha ali perto. E, para se vingar, passou a apitar de madrugada na janela do juiz. Tanto espezinhou, que o juiz resolveu investigar.
A resposta veio de São Paulo: fulano era procurado pela polícia federal por... atentado a bomba!
Dei risada, não agüentei. Atentado a bomba? O último que soube no Brasil foi em 1982, no Riocentro. Inacreditável.
A fonte era segura, e mesmo assim parecia papo de botequim. Vai ver o tal atentado não deu certo, a bomba era caseira, deu chabu, pipocou. Mas que o sujeito era procurado por atentado, era. Ele e o irmão. Que bobagem tinham aprontado, não sabemos.
E a polícia federal armou o maior cerco nos rincões da represa para prender o rapaz. Uma vez preso, foi de camburão para São Paulo.
É aí que eu fico pensando...
Bêbado é um bicho sortudo para danar.
Há dias permanecíamos internados à beira do rio, em uma chácara, bebendo ininterruptamente. Ou seja, tornou-se uma dessas ocasiões propícias para que algo esquisito, muito esquisito, acontecesse.
Éramos um grupo de amigos, estudamos juntos no antigo ginasial. o churrasco, quase infinito - era a nossa sensação -, misturava-se a alguma pescaria. Até um esqui improvisado, e um tanto perigoso, arriscamos nas águas da represa.
E assim, mais para lá do que para cá, alcançamos outra madrugada.
Foi quando o guarda noturno da região apareceu querendo participar. Coisa estranha, apenas os donos o conheciam, mas ele chegou no churrasco sem timidez, papudo de doer.
Bem, eu ainda dava alguns vexames no violão, naquela época. O vigia viu-me com o instrumento e intimou: “Toca uma do Elvis”. Improvisei algo e ele mandou ver “You've lost that lovin' feelin'” e outras do repertório terminal do Rei.Imitava-o com propriedade.
Da mesma forma que chegou, foi-se. Mas, da estrada, ouvimos alguns berros. Logo o vigia voltava, trazendo um tatu vivo.
-Peguei no carreador, comentou.
Um murmúrio ecoou desde a mesa de sinuca até o balcão. Era muito esquisito. Afinal, o cara tinha acabado de sair. Cogitamos se ele tinha feito alguma armadilha, coisa assim.
O interesse do sujeito, no entanto, era vender o bicho para que o cozinhássemos.
-Isso dá cadeia, falei, pelo que lembro.
A resposta foi um olhar meio raivoso, meio rancoroso. Achei que a palavra CADEIA não caiu bem.
Como o grupo era pobre e bêbado, não demorou para o tal vigia ver que dali não saía grana. Despediu-se e caiu fora.
No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até uma chácara vizinha, pegar o barco para pescar, um lugar que também aluga chalés para turistas. Lá, o dono comentou que o vigia também tinha aparecido tentando vender o tatu. Fizemos alguns gracejos sobre a estranha história.
Um ano depois, o grupo encontrou-se novamente, agora em um bar de Londrina. Automaticamente lembrei do tatu. E fiquei sabendo o resto do acontecido.
O tal vigia arranjou algum entrevero com um juiz que, vez ou outra, ficava na cidadezinha ali perto. E, para se vingar, passou a apitar de madrugada na janela do juiz. Tanto espezinhou, que o juiz resolveu investigar.
A resposta veio de São Paulo: fulano era procurado pela polícia federal por... atentado a bomba!
Dei risada, não agüentei. Atentado a bomba? O último que soube no Brasil foi em 1982, no Riocentro. Inacreditável.
A fonte era segura, e mesmo assim parecia papo de botequim. Vai ver o tal atentado não deu certo, a bomba era caseira, deu chabu, pipocou. Mas que o sujeito era procurado por atentado, era. Ele e o irmão. Que bobagem tinham aprontado, não sabemos.
E a polícia federal armou o maior cerco nos rincões da represa para prender o rapaz. Uma vez preso, foi de camburão para São Paulo.
É aí que eu fico pensando...
Bêbado é um bicho sortudo para danar.



