Noites de Vigília

As árvores de Londrina estão agonizando. Já não há mais como aproveitar o marketing de cidade arborizada. Elas estão desaparecendo. Seja pela sanha do comércio - já notou como elas somem diante de fachadas comerciais? -, seja pela falta de cuidados.

Ontem, no Zerão, uma árvore imensa despencou sobre a pista. Sua raiz era ridícula perto de seu porte. Parecia uma daquelas árvores de maquete, apenas fincada ali para fins estéticos, sem estrutura ou qualidade de vida.

Nossa arborização vem despencando a cada chuva. Para evitar que as calçadas quebrem - como se já não estivessem destruídas - as raízes são cortadas. Basta o solo ficar um pouco úmido para a planta vir abaixo.

Passei boa parte da minha infância subindo em árvores. Aqui em Londrina é desaconselhável. Nossas árvores-maquete já não suportam peso, não suportam vento, não suportam podas intolerantes, não suportam o homem.

Lembro da região central, quando as ruas eram de paralelepípedos, cobertas por árvores. O paralelepípedo se foi, compreensivelmente. Agora a cidade está ficando pelada.

O que se desnuda não são apenas as ruas, mas a nossa ignorância. Ficamos mais burros a cada árvore que cai.

Mas esta não foi a história de nossa colonização, derrubar árvores? O desmatamento foi tão importante para Londrina que há um sentimento geral de que as árvores não são importantes. Pior, atrapalham, sujam, incomodam.

Às favas com tamanha bobagem. Se não conseguimos conviver com formas tão básicas de vida, não me espanta a mediocridade social a que chegamos. Não preservamos nosso próprio quintal. Não preservamos a nós mesmos.

Mata Atlântica? Já era. Amazônia? Teu nome será saudade.

Publicado em 22 de fevereiro de 2006 às 12:26 por preto

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