Agora que a Bruna manda na minha vida, desenvolvi o hábito de ouvir música no computador com fone de ouvido.
Foi-se a época dos sons explodindo fartos das caixas. Agora meu prazer é solitário. Não dá nem pra comentar: Putz, olha esse piano!
Isso porque chego tarde e ela já (ou ainda) está dormindo. Mas se os olhinhos estão circulando acesos, aí ela ouve comigo.
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E o Andrew Hill? Rapaz, o cara toca um piano telegráfico, mas com um sentido de grupo parecido com o de Count Basie. O som é bem diferente, mas o grupo atua muito coeso, e o piano aparece para dar a direção ou, finalmente, enveredar para um solo – e no solo Andrew Hill lembra Monk. Ou seja, traz a junção de dois pianistas lacônicos. Monk abriu a harmonia e entortou o tempo. Basie era capaz de suingar com uma nota só.
Andrew Hill também entorta o tempo, mas é mais coletivo do que Monk, que era solitário mesmo acompanhado. Hill consegue desaparecer, manter-se às escuras, para eventualmente colocar ordem na casa. E gosta muito de sopros. Em uma das faixas, há uma estranha combinação de sax, trompete, flauta transversal e flauta doce. E o resultado é que os harmônicos acabam multiplicando a formação, como se houvesse mais instrumentos do que há. Cacilda.
Publicado em 19 de abril de 2006 às 23:08 por preto