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08 September 2007

Você está definitivamente velho quando...


...descobre que jiló é um de seus pratos prediletos.

...confessa publicamente que é fã do Benito di Paula.

...não agüenta mais discurso de direita, esquerda, acima, abaixo.

...três cervejas é o suficiente para uma noitada. Com ressaca.

...reclama do trânsito mesmo quando não está dirigindo.

...compra um livro chamado “Alongue-se”.

...reclama da cerveja, do vinho, do copo, do aperitivo, do garçom – mas tá se divertindo como nunca.

...ver uma boa comédia é quase como acertar na loteria.

...adquire um gosto inexplicável por ferramentas.

...você fala, explica, argumenta e ninguém ouve.

...vai ao dermatologista ver umas pintas esquisitas e ele explica: “são quilômetros rodados”.

...os pêlos começam a brotar na orelha.

...lembra de circunflexos esquisitos: "êle".

...fala de comida, bebida, música, passarinho e árvore. As notícias que se explodam.

...lembra do evel knivel saltando de moto um monte de carros incendiados.

...conhece a letra da vinheta do Fantástico: "olhe bem, preste atenção..."

...começa a fazer uma horta em vasos no apartamento.

...sabe o que significa “mixou o carbureto”.

...volta a fazer as mesmas piadas do colegial, especialmente as escatológicas.

...conhece Waldick Soriano, Paulo Sérgio e Lindomar Castilho.

...ainda consulta a Barsa de 1976.

...mandou foto 3x4 para a Seção Pretensão, colecionou as “repostas cretinas para perguntas imbecis” e perdeu tempo com as “dobradinhas Mad”.

01 September 2007

Pô, Siqueira!!


Virou a esquina e...

-É um assalto!

A arma apontada, trêmula.

-Pode levar tudo, ó, taí a carteira.

-Passa o relógio!

-Ué, essa voz eu tô conhecendo...

Olham-se.

-Siqueira!

-Mendonça!

-Como é que cê tá, rapaz?

-Mudei de ramo... E você, ainda está n’ O Vespertino Imparcial?

-Não, também saí de lá.

-Você fechava Economia, né?

-Pois é. E você Mundo.

-Quantas vezes brigamos, hein? Crise nas bolsas, eu insistia que era Mundo.

-E eu Economia. O tempo voa.

-O jornal ainda existe?

-Existe, mas houve readequação.

-Hein?

-Demitiram todo mundo, ficou só a Eulália.

-E ela fecha o quê?

-Tudo.

-Tudo?

-É, o jornal virou semestral. São os novos tempos. Nem precisa repórter.

-Ah, eu consegui sair dessa vida. Mas ainda estou me adaptando. Falando nisso, o relógio, faz favor...

-Tó. Sabe, eu também abandonei as redações.

-Ah é, virou assessor de imprensa?

-Virei assessor de um deputado aí. Deu rolo.

-Cana?

-Da braba. Mas cheguei a ganhar uma grana, lá no primeiro mandato. Se não fossem os promotores...

-Xii, promotor eu tô fora.

-Rapaz, me arruinaram. Perdi tudo e ainda devo uma grana preta na praça.

-É muito, é?

-Uns três milhões. Estou começando de novo.

-Então pega sua carteira de volta, ó, fica com os documentos.

-São falsos.

-...

-Bem que você podia me emprestar esse revólver...

-Você devolve? Dois vês, hein? Vai e volta. É o meu ganha-pão.

-Belê.

-Toma.

-É um assalto.

-Pô, Siqueira!