O filme “Nem que a Vaca Tussa” é dessas animações que, se não ganham o Festival de Berlim, encaixam-se quando você procura um título apenas divertido.
Há uma cena em que um rebanho é roubado – o ladrão hipnotiza as vacas cantando yodel. A técnica consiste em um movimento da garganta capaz de passar rapidamente da voz normal para o falsete. (Reconheceu? Há quem chame de “canto tirolês”)
O resultado é peculiar – e muitas vezes bem humorado.
Praticado por montanheses da Áustria, Suíça e Alemanha, o yodel é aplicado principalmente à polca, o mesmo gênero que nos rendeu, no Brasil, o choro.
Como os irlandeses incutiram o banjo na música country norte-americana, o yodel também chegou à seara dos cowboys. Nos EUA, o mais conhecido talvez seja Jimmy Rodgers, que não exagerava muito no efeito. Mas existem outros: Delmore Brothers, David Cannon, Wanda Jackson...
No rock, foi aproveitado pelos Vogues em uma balada até conhecida – claro que não lembro o nome. Sem falar no Focus, que fez altos números de yodel em concertos ao vivo. O oitentista Oingo Boingo também costumava brincar com o recurso.
Mas o yodel mais famoso está no cinema, no grito do Tarzan. Desde criança tentei imitá-lo, mas fracassos constantes levaram a atritos com vizinhos e amigos.
Considerando o que já rolou na QSL – de marcha de Carnaval a hino em portunhol –, até que não seria estranho uma disputa de yodel por lá.
Publicado em 09 de fevereiro de 2005 às 16:28 por preto