Em indisfarçável preconceito, a Academia vetou Jorge Drexler de interpretar a própria canção durante a cerimônia de premiação do Oscar, no domingo. O compositor uruguaio concorre a melhor canção por “Diários de Motocicleta”.
A alegação foi uma só: Drexler não é um superstar (leia-se figura que rende milhões para a indústria do entretenimento)
Em seu lugar, foi negociado Caetano Veloso, mas a Academia preferiu – até hoje, pelo menos – colocar o Banderas cantando ao lado de Santana.
Drexler é um cancionista talentoso, respeitado em seu país.
Suas músicas nos embalaram quando resolvemos mergulhar pelo Uruguai, rodando pelo litoral, capital e o útero colonial, na fronteira com a Argentina. O povo foi extremamente receptivo, não tivemos um problema, um senão, um porém.
Enfim, uma cultura que não merece ser menosprezada por uma indústria que faz o que faz.
Uma das misérias da humanidade consiste em minimizar a cultura alheia, medindo-a com olhos superiores, exibindo as diferenças como vitória do modo de vida de um povo.
O Oscar demonstra valorizar esta ação. Se antes, era apenas um prêmio movido a dinheiro, conseguiu descer alguns andares.
Enquanto isso, os norte-americanos se perguntam porque a cerimônia vem perdendo audiência.
Publicado em 25 de fevereiro de 2005 às 21:01 por preto