Noites de Vigília

Dom Quixote

São quatro séculos de livro, data que não se alcança à toa. Pois é, em pleno século 21 a leitura de “Dom Quixote” continua imprescindível. Badalações à parte, a obra de Cervantes faz por merecer.

E olha que chegaram novas traduções, há inclusive volumes em espanhol facilmente encontráveis nas livrarias. É uma das obras mais difundidas do mundo, um marco da humanidade, um dos melhores textos da nossa existência.

O mais legal é a simplicidade. Mesmo fundamental e quatrocentão, “Dom Quixote” vai bem das pernas. O humor ainda convence, a figura do protagonista – e de seu auxiliar – permanece um marco no imaginário da civilização.

O senhor já idoso que parte em busca de resolver as injustiças graças à insanidade adquirida pela leitura intensa de romances cavalheirescos, de terceira categoria, dá pano para a manga.

Só a imitação feita por Cervantes do estilo empolado das novelas antigas já dá um caldo. Soma-se às inúmeras interpretações que a história suscita e temos um verdadeiro clássico.

Anacrônico, alquebrado, ridículo e confuso, Dom Quixote defendeu o ideal de justiça que celebramos hoje: o de abrigar a todos igualmente. Podemos dizer que a insanidade adquirida trata-se na verdade de uma libertação sobre a hipocrisia reinante, e aí vale considerar que, mesmo ironicamente, a obra elogia o poder transformador da literatura. A liberdade com que Dom Quixote age contra a ordem estabelecida, capaz de atirar-se a lutas desiguais em desmedida coragem, também o transforma em um verdadeiro herói. Mesmo que às avessas.

Mas o bom disso tudo se concentra principalmente na primeira parte do livro. A segunda parte foi escrita mais na obrigação, já que circulava uma versão pirata (sim, já existia na época) que deixou Cervantes irritadíssimo.

Engraçado, trágico ou encantador, Dom Quixote é um pouco de todos nós, dando cabeçadas pela vida, tentando sobreviver sem perder ideais básicos, arranjando formas de alimentar as próprias convicções sem derrapagens morais, lutando para evitar que a sombra da ignorância prevaleça sobre nossas cabeças. Um luta constante que, lá no fim, sabemos perdida. Mesmo assim, continuamos.

Publicado em 25 de julho de 2005 às 13:29 por preto

Comentários

    • Dom quixote é muito bom, mas pra mim o fascínio do livro está no seu escudeiro, Sancho pança, sem ele Dom quixote não seria tão quixotesco
    • por hellder
    • 07.Ago.2005 às 16:55 - Permalink - Reportar
    hellder
    • Dom quixote e muito louco, pirado e maluquet e seu escudeiro Sancho panca e muito gordo como o seu nome propri diz ele e um PANÇA mesmo!!!
    • por LUCKIS
    • 09.Set.2005 às 13:28 - Permalink - Reportar
    LUCKIS
    • Muito esclarecedoras as resenhas de nossos comentaristas. Estão de parabéns, especialmente o Luckis!
    • por Groo - literato
    • 09.Set.2005 às 13:48 - Permalink - Reportar
    Groo - literato
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