-Pega-pega era “mãe”. Não é esquisito? Pois é, era assim em União da Vitória. Caso você pegasse um colega, dizia: “mãe” ao invés de “pego”.
-Uma brincadeira comum era “Homem de seis milhões de dólares”. Eu e a vizinha, nem dez anos tínhamos, corríamos pelo quintal em forçada câmera lenta. A faxineira não entendia nada e dizia: “corram direito, crianças”. Falta de tato: minha vizinha era a mulher biônica, perto dela o tempo não existia.
-Tinha outra: “gato mia”. Em um quarto ou casa escuros, todos corriam para se esconder. O pegador, além de pegar, perguntava: “gato mia?”. Quem fosse pego tinha que... miar. E o pegador tinha que adivinhar, pelo miado, quem era. Hum.
-Caveira: essa é complicada, envolvia duas árvores e um percurso que incluía uma volta em cada uma. E o pegador atrás, suando a camisa.
-Mãe da rua: o pegador ficava na rua e os fugitivos atravessavam de um lado a outro. Na versão cambeense, caso o pegador fosse puxado para a calçada, apanhava sem dó.
-Salva: o pegador tinha que capturar um por um. Os prisioneiros formavam uma corrente e eram salvos por um tapa de qualquer outro fugitivo. Ou seja, o pegador tinha que começar tudo de novo. Uma desgraça. Para o pegador, claro.
-Pega-pega na piscina: era perigoso, porque todos eram obrigados a pular na água em cada canto da piscina. Muitos pulavam correndo ou não calculavam bem. Rolou perna quebrada pacas.
-Quadrado: esse era muito esquisito. Englobava um quadrado imaginário na piscina. E o pegador tinha que ficar de olhos fechados. Difícil de explicar, bom de brincar.
-Parede: em um dos extremos da piscina havia um paredão imaginário, impedindo os participantes de pular na água por ali.
Tratos
Existiam também alguns “tratos”:
-007: Quem “tratava” 007 tinha obrigatoriamente que andar com o número escrito em alguma parte do corpo. E estar preparado para mostrar caso questionado. Quem não tinha o número, pagava um chiclete.
-Verdura: os participantes eram obrigados a dizer “verdura” imediatamente após falar alguma espécie de fruta, legume, verdura ou árvore. Tinha que falar rápido, tipo “manga verdura”. Caso demorasse, levava murros. E os murros continuavam até que a palavra “verdura” fosse dita. Claro, muitos esqueciam do pacto. E apanhavam sem saber o porquê. Em outra versão, “verdura” deveria ser dita após palavrões: “merda verdura”. Provocou fim de amizades. E revanches infinitas. Ainda hoje, quando encontro amigos desta época, acho que vou levar um murro de uma hora para outra. Só para garantir: verdura.
Publicado em 29 de julho de 2005 às 19:58 por preto