-Acabei de ouvir o novo Los Hermanos, triste pra danar. Já está difícil de encontrar o disco nas lojas, então contei com uma dupla sorte: o Diego Prazeres me emprestou sem que eu soubesse que a Karlinha já havia providenciado um exemplar.
-Interessante na melancolia dos Los Hermanos a referência ao mar. O quarteto compôs e pré-produziu o disco em um sítio, mas o mar está lá, tão presente quanto no encarte do Ventura. A música de abertura chama-se Dois Barcos, a terceira Fez-se o Mar, a quarta Paquetá, a quinta Os Pássaros, a sétima O Vento, a oitava Horizonte Distante. Para fechar, em É de Lágrima, o mar novamente: “é de lágrima que faço o mar pra navegar”.
-As distâncias do mar têm tudo a ver com a melancolia do disco. Desde a mudança em Bloco do Eu Sozinho que percebo nos Los Hermanos uma agonia característica dos anos 60/70, quando as palavras pareciam entaladas na garganta. E as melhores canções praieiras da MPB foram feitas nesta época. Houve uma tendência a mirar o mar para esquecer o que acontecia com o país – como houve um surto de “rock rural”, as pessoas convergiam também para o interior. A contemplação como lenitivo. Em conseqüência, os sentimentos afloraram – paixão, tristeza, solidão, abandono – junto com uma tentativa de compreensão psicológica.
-É injustiça comparar o 4 com Ventura – este foi um pico de criatividade, momento raros nas trajetórias musicais porque o auge veio no terceiro CD. O 4 não é melhor que Ventura, mas é diferente. Mais maduro, mais sofrido, falsamente simples. Econômico, enxuto, mas a qualidade está lá.
-Uma coisa que me incomoda no grupo – e não diz respeito diretamente a ele – é a idolatria. A mesma que incomoda no DVD, uma tietagem danada – gente chorando, cantando de olhos fechados, esperneando. Calma lá, pessoal. O comportamento “toca Raul” não combina muito com o jeitão reservado dos caras.
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O falecido Totó, cachorro dos taxistas do Com-Tour, andou desaparecido uns dias. Quando voltou, apresentava indícios de que fora assaltado: levaram a roupa preta e a coleira. Não estão perdoando nem cachorro.
Publicado em 04 de agosto de 2005 às 23:22 por preto