Tem um despacho brabo em cima do viaduto a caminho do Catuaí. Passo por ali nas pedaladas e posso dizer que o cheiro está de matar. E não é despachinho meia-boca não, tem uma baita galinha de granja cercada de velas vermelhas em um prato caprichado com farofa. O problema é que o bicho – carente de um enterro digno – está apodrecendo ali, ao ar livre.
Despacho no viaduto do Shopping só pode ser despacho de elite.
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Bem diferente de um despachinho que encontramos certa vez no ático em que faríamos um churrasco daqueles. Durante os preparativos, demos de cara com o dito, escondido atrás de uma porta de vidro. Era discreto, um ou outro charuto, uma velinha e um pouco de farofa em prato plástico.
Éramos um bando de materialistas, acredito. E lembro que nos divertimos com a história do despacho. Bebemos todas e mais um pouco, cantamos, dançamos, uma farra.
Pois é, mesmo bêbados e materialistas, não houve quem desrespeitasse o despacho, que sobreviveu intacto à festança.
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A paternidade ensina muito, claro. E você se descobre um completo ignorante em coisas óbvias, triviais. Por exemplo: uma célula do corpo humano dura, normalmente, alguns anos. Ou seja, nosso corpo é muito mais novo do que nós mesmos.
Tudo isso seria mais legal se a aparência também se renovasse, mas, cá entre nós, só vem piorando. Dureza.
Publicado em 31 de outubro de 2005 às 10:15 por preto
lembro-me da época de moleque (em idade, não só atitudes) em Itacoatiara, Niterói, onde invariavelmente apareciam despachos na praia à noite. vez ou outra a gurizada punha-se a chutar os arranjos de flores, goró e velas acesas, sempre sob o olhar apreensivo — e encagaçalhado — dos demais. é que las brujas que hay poderiam querer se vingar, vai saber.