Noites de Vigília

Flashback

Ponta Grossa era fria e ensolarada, e eu o homem mais só do mundo.

Para castigar, os domingos ensolarados.

Aí eu sentava à porta do prédio, olhando pro nada, fumando um cigarro enquanto a solidão aumentava com a despedida do sol.

Nenhum carro, nenhum cachorro.

Uma avenida sem vida.

Só os meus fantasmas.

Eu acendia um cigarro e chorava. Chorava à vontade, só o sol me via. Do alto dos meus 17 anos, o sol-testemunha.

Um dia, um domingo, uma garota levou-me comida. Queria meu universo.

Eu ofereci: descemos à porta do prédio, sem palavra. Sentamos, acendemos um cigarro, olhamos pro nada.

E choramos.

Foi minha despedida daquela terra estrangeira.

Publicado em 22 de dezembro de 2005 às 01:46 por preto

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