Arranjei um show do Chet Baker, 1980. Enquanto a heroína pulava na veia, ele assoprava suas dores em notas macias.
A morte habitava sua cara, em contornos cadavéricos e desdentados. Mesmo estropiado, Baker assoprava. E bem.
Vez ou outra cismava de cantar, e aí a dor ganhava forma em sua garganta, também macia e estourada. E cantava igual ao trompete, os lábios secos colados ao microfone.
20 e tantos anos de heroína já não é dor física, é dor na alma. É dor de uma vida inteira. E ressaca infinita.
Toda vez que revejo o filme acho que tinha mais música do que vida naquele corpo.
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Noel Rosa não era um bom cantor, mas sincopava bem pra danar.
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Acabei de ler um livro com sugestões para uma discoteca básica de MPB. E não trazia nenhum tópico sobre Jacob do Bandolim. Como é que um negócio desse consegue ser publicado?
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Hermeto Paschoal em um programa do Japão: “Não existe silêncio. Nem quando você está em seus pensamentos mais profundos, porque a imaginação não é silêncio”.
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Tenho uma inveja danada do adesivo ao lado do computador do Paulo: NO AULA/YES PADÓCA.
Tá certo, PADÓCA FORÉVER (tem que ter acento). E Chaves para presidente.
Publicado em 15 de março de 2006 às 16:06 por preto