Noites de Vigília

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Chopin influenciou a música brasileira por intermédio da polca e da mazurca, que foram parar nos pianos de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, originando o choro, que depois derivaria no samba.

Nos EUA, a polca e a mazurca originaram o ragtime, que deu origem ao jazz.

Nos EUA os escravos eram proibidos de batucar, então eles privilegiaram o canto e instrumentos melódicos.

No Brasil, graças à batucada, a obsessão rítmica foi maior.

Mas Pixinguinha esteve na França na década de 20, quando ragtime e jazz ainda eram siameses. A França absorveu incrivelmente cedo a influência americana. E logo, nos anos 30, apresentava um jazz próprio, quando os americanos ainda desconfiavam dessa música de origem negra/européia.

Pixinguinha voltou ao Brasil impressionado. Tanto que trouxe instrumentos estrangeiros como o saxofone e o banjo.

E passou a fotografar imitando as big bands.

Encontrou Louis Armstrong, o Pixinguinha de lá. Embora o nosso fosse um gênio também nos arranjos e na composição.

Toda essa mistura deve assustar os fãs de uma música brasileira “pura”.

Pois bem, desde que a música ocidental tem registros relativamente confiáveis, lá para a Idade Média, a mistura é o que manda.

Tanto que os modos de origem gregas ganharam influências mouras e foram adaptados ao Cantochão nos primórdios da música européia.

Ufa! Depois de toda essa mistura, não dá para apontar o rock e dizer que é um elemento “estrangeiro”, que “contamina” nossa música.

Os elementos se fundem até adquirir uma personalidade regional ou nacional. O resultado pode ser bom ou ruim. Mas trata-se de um processo legítimo e que não vem de hoje.

Então... Abaixo a xenofobia.

Publicado em 16 de março de 2006 às 23:09 por preto

Comentários

  1. RodrigoCL
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