Noites de Vigília

Mico no Carnaval

Resolvemos jogar pó-de-mico no salão e acabar com o baile de Carnaval de Cambé. Nem precisou reunião da tropa de choque, estava resolvido, pronto. Vim a Londrina, tinha uma loja de mágicas no Centro Comercial que me vendeu um produto “parecido com o pó da China”. Fiquei impressionado. Éramos roqueiros revoltados contra a chatice do salão. Carnaval era um saco. Então colocaríamos o povo para se coçar.

Misturamos o “pó da China” com talco, operação que nos fez coçar absurdamente as mãos. O negócio funcionava. Colocamos o preparado em pequenos tubos de ensaio que carregamos no short (na parte da frente, engraçadinhos) – naquele tempo se usava shorts, bermuda só veio depois.

Começou o pará-pará e os foliões – ainda tímidos e de garganta seca – ensaiaram as primeiras voltas no salão, meio sem graça. Tomamos uma cerveja – menores bebiam à vontade – e esperamos.

Quando a coisa esquentou, fomos para o meio da muvuca, jogando discretamente o pó. Nada. Decidimos jogar para cima, oferecendo-nos em sacrifício pelo bem da causa. Um pobre gordinho, que levou uma lufada nas costas, parou para se coçar. Um ou outro coçava o pé. Mas não passou daí.

Tomamos outra cerveja, e mais outra. Duas menininhas bonitas passaram e o plano finalmente fracassou: os terroristas se engraçaram com as delícias do Carnaval.

Publicado em 28 de janeiro de 2008 às 14:36 por preto

Comentários

  1. groucho
  2. preto
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